capítulo 8

Published 10/25/2015 by A.W. Branco

Néfele, com a voz das ninfas diz para o Anão que finge surpresa   —: “ Íxion, pai dos meus filhos, sofre eternamente na roda de fogo.  Sísifo sofre condenado para  trabalho inútil e infindável e Tântalo que nunca poderá saciar sua fome e sede, pouco penam perto do que lhe reservo.O sofrimento que lhe trago será muito, muito pior”.  O Anão sabedor que tem um trunfo com o qual negociar, diz arrogante e inquebrável  —: “ Ninfa inútil e vazia, criação espúria de Zeus, sei de seus desejos vãos  e das suas necessidades desprezíveis. ”  Néfele espantada com as palavras desrespeitosas de um mortal e percebendo-se revelada, lhe responde com altivez que ele não tinha como saber dessas coisas. O Anão, sem perder tempo, pois vê as três Fúrias assomando a ninfa, lhe mostra seu dois cajados e diz —:“ Veja Néfele, veja o que trago comigo. São os cajados com os quais causei a morte ignóbil dos seus filhos!”   E continua—: “ Busquei o lenho para a suas confecções no mais profundo e o mais poderoso, entre as raízes de uma árvore que todos conhecem como Freixo, mas nós a chamamos de  Yggdrasil, Guardiã das Fontes, onde  o próprio Odin, meu pai,  se sacrificou para dar origem aos Nove Mundos. Foram pintados nas cores místicas das nebulosas florestas onde caçamos os cervos ajudados por Geri e Freki, os grandes lobos sagrados” . “ Veja, veja e deseje Néfele,  olhe como é belo o meu cajado”, e o exibe  para a ninfa. Néfele arregala os olhos pois conhece o poder de Iggdrasil. E então, ela reconhece o poder dos cajados e sabe que com eles conseguira materializar seus mais secretos sonhos, propõe—: “ Anão, a sua vida pelos cajados”.

Néfele percebe que o Anão hesita em lhe entregar os dois cajados, e com a expressão fortemente carregada lhe diz—: “ Anão, seu viado, não seja idiota, pois não há poder no mundo que possa salvá-lo agora, dê-me logo o que demando.”   O Anão testa a paciência da ninfa rindo-se com mais desprezo e faz aquele gesto com a mão que é muito ofensivo naquelas partes do mundo. “Ninfa tola, ninfa tola”, provoca o Anão. Ela, com o sopro gelado das súbitas tempestades da primavera, aponta para os pés do Anão, que ficam imediatamente imobilizados por uma trepadeira que brotou  do solo. — “Anão, oh Anão, você traiu o seu Príncipe Maravilhoso, pois me tomou por sua Princesa Amada, me seduziu como se ela própria eu fosse.” E continua excomungado o Anão —: “ A poderosa e temida deusa Hera, esposa do supremo Zeus, que não tolera a mais ínfima infidelidade,  novamente se apossará de mim, e tomará a forma que Íxion, o tolo amou e depois caluniou para os amigos.  E então Anão, por você ter traído ao seu Príncipe Maravilhoso,   ela o castigará”. Boba, três vezes boba, ninfa desgrenhada e falastrona, pois até o cão Natanael sabia que você tentaria me iludir fingindo-se de Princesa Amada. Te tomei de graça e para meu próprio usufruto. Ganhei tempo e o poder dos meus cajados só aumentou. Mas não pense que sou egoista – Em troca, vou recompensá-la do prazer que roubei de você, lhe entrego apenas um dos meus cajados; e seguirei vivo pela minha jornada. Néfele, ultrajada, vê que escapa de suas mãos a única maneira de deixar de ser uma ninfa pois é feita das névoas que surgem nos baixos vales dos Elíseos e se adquirir os poderes materiais dos cajados  a farão sentir 9 vezes mais prazer que qualquer outro vivente. Concorda, acrescentando que fará uma única exigência.

 

 

capítulo 7

Published 10/16/2015 by A.W. Branco

Não fora pelo aviso de Natanael, que se provou ser um amigo indispensável, o Anão teria caído de joelhos, mortalmente apaixonado pela linda jovem. Mas, alertado, imediatamente percebeu um tom de ironia, o timbre de malvadeza na voz da Ninfa que se passava pela Princesa Maravilhosa, pois essa é uma habilidade de Néfele. Enche-se de coragem,  sabe que está nas mãos de Néfele, mãe ferida e vingadora, criação de Zeus. Senta-se na relva perfumada e toma a cabeça da Ninfa e a descansa no seu colo. Conta-lhe histórias maravilhosas de aventuras em mundos distantes, onde os Anões eram Senhores. Distrai a Ninfa e a acaricia com a determinação de um grande e hábil sedutor. Apesar de ser um anão, sua voz é a de um Bardo, e declama como poucos jamais fizeram. Aos poucos, Néfele se entrega ao prazer das mãos hábeis do Anão, que agora explora seu corpo, os seios, e todas as porções deliciosas que são reservadas para os deuses. Toma a boca da Ninfa e, prolonga o beijo profundo, quando,finalmente, ela lhe diz  —: ” Sim, Sim, Anão me tome agora, pois me fiz virgem para você! Eu te desejo como nunca desejei alguem”. O Anão não espera um segundo convite, e lembrando de Natanael, passa a se dedicar o melhor que sabe, ajudado pelo vigor que o elixir lhe passou. Os dois se satisfazem incansavelmente enquanto passam-se dias e semanas de trocas reciprocas de néctares e ambrosias. Finalmente, Néfele, que agora tem lindas e negras olheiras decorando seus olhos de cor de safira,  quebra o encanto e diz para o Anão—: “ Prepara-te, criatura feroz e inclemente, pois chegou a hora de me revelar para você. ” O Anão fingindo surpresa, responde—: “ O que acontece, Princesa Amada do meu Príncipe Maravilhoso? “.

Néfele não responde de imediato, apenas solta uma risada, que seria um trinado de canários de ouro, não fosse a intensidade e a crueldade com que rasgou toda a vegetação nos seus entornos. Chegou a despertar Zeus do seu sonhar criativo.

—: “Você vai morrer, Anão desgraçado e filho da puta. A morte que lhe trago é indízivel. “.

CAPÍTULO 6

Published 10/11/2015 by A.W. Branco

O anão faz um grande esfôrço, usa os dois cajados para apoiar-se e se levantar, como Natanael lhe ordenava. Que até mordia seu pé para melhor despertá-lo. As dores aumentam, pois o túnel ficara mais estreito e os espinhos venenosos agora maiores, alcançam todos lugares do seu corpo. O  anão agoniza e grita de sofrimento. Natanael lhe diz: “ Anão, use os cajados para afastar a vegetação e abrir espaço para nós”.  Mal entende, mas segue obedecendo. Batendo à sua volta, abre uma pequena clareira que lhe permite ficar  aprumado e  livre da agressiva vegetação.  Olha para Natanael e lhe pergunta como ali chegou. Para o que ele responde, dizendo que existem outros túneis secretos, menores e mais estreitos por onde os cães percorrem a floresta  em busca de seres perdidos e lhe ordena que avance monte acima. O anão tenta, diz que não dá, estou muito fraco e sofrendo. Natanael então, lhe sugere que beba uns goles do Elixir Mágico que seu Príncipe Maravilhoso preparou para a Princesa Amada. O anão tinha esquecido do pequeno frasco que o Príncipe Maravilhos lhe colocara no bolso grande de sua algibeira. O anão se recusa, pois se o beber como salvará a Princesa Amada? Natanael, irritado lhe diz para beber apenas dois goles, pois se morrer ali de que adiantará preservar o elixir. Convencido, o anão toma do frasco e bebe dois goles apenas. Exclama: “Tem gosto de absinto!” e entorna o frasco todo, nada deixando nele. Nem uma gotinha. Natanael rí, enquanto diz: “Mas que grande bebum é você”..

Natanael observa o Elixir com gosto de Absinto, fazer efeito no anão. Quando acha que ele está plenamente refeito, lhe diz, com expressão séria: — Preste muita atenção para o que lhe direi agora, Anão imprudente e estouvado. Néfele, a Ninfa das Nuvens e Guardiã da Imaginação, que é a mãe dos Centauros, ficou muito irritada por você ter matado alguns de seus filhos. Por você ter se jactado do feito, Nêmesis, a Deusa que Castiga os Orgulhosos, a autorizou vingar-se. Pois se prepare Anão, os deuses virão em sua busca. Sua únca salvação será em seduzir Néfele quando a encontrar e depois então,  lhe prometa seus dois bastões em troca de sua vida — O Anão, sem bem entender, despede-se de Natanael e segue cheio de energia e entusiasmo pelo túnel, que lhe parece cada vez mais estreito. Abre o caminho com facilidade e os venenos e miasmas das plantas não mais o afetam. Já nas meias alturas do monte repara estar envolvido numa neblina fina e de cor suave, que o refrescam. As brisas cantam em coro com os raios de luz multicoloridos que atravessam a névoa por todas as direções. Gotas de orvalho parecidas com pedras preciosas pingam da ponta dos espinhos. Alcança uma pequena clareira e nela encontra, deitada sobre a relva alcatifada, entre mimosas flores, uma linda moça. Ela parece dormir pois respira suavemente, até parece que as brisas nascem dos seus suspiros. Aproxima-se e pergunta:“ Você é a Princesa Amada do meu Príncipe Maravilhoso? ” Ela num suspiro mais longo e delicado, abre seus grandes olhos de cor de safira e lhe responde: “ Sim, meu Anão Perfeito. Eu sou a Princesa Amada”.

capítulo 5

Published 02/23/2014 by A.W. Branco

O túnel é  formado por lianas espinhentas, cardos, rododendros venenosos, urtigas e outros vegetais desconhecidos  e ameaçadores para o anão. E  estavam tão entrelaçados que somente poderia caminhar para frente, pois eis que, conforme avançava, às suas costas o túnel se fechava

Preparou-se para uma caminhada infindável, o caminho serpenteava ao longo do alto monte, em uma rampa suave  que lhe antecipava dias e dias a fio de caminhar. Conformado e empenhado à promessa que fizera para seu  Príncipe Maravilhoso seguiu  em busca do resgate da Princesa Amada. Logo,  a armadilha de vegetação tanto se adensou que a escuridão tornou quase impossível seu progresso.  Aqui e ali esbarra nos espinhos venenosos e seu pequeno e disforme corpo é tomado por dores e uma sede terrível. O sofrimento o derruba de joelhos e arfando, gemendo, cai de bruços.

Sobre o caminho atapetado de folhas secas o anão adormeceu, mal respira. Seu sonhar é tomado por terríveis pesadelos. Os filhos de Íxion debocham da sua mortalidade. Atormentam-no por sua incapacidade de cumprir a promessa que fez para o seu Príncipe Maravilhoso, mostram cenas onde sacrificam a Princesa Amada e a devoram crua, como é o hábito dos centauros. Tão extenuado, tão sacrificado, que  único e profundo desejo brota na  consciência: vontade  de morrer, deixar de ser, para se livrar do tormento que lhe parece durar por toda a eternidade.  No meio do vozerio dos centauros, aos poucos, muito distante,  ouve um chamar que se distingue. Traz sua atenção e se ouve dizer: quem é que me chama?— Sou eu, Natanael. Levanta e se apoie nos seus dois cajados— o anão busca forças e sentado se vê à frente de um cão. Pergunta: “Você  é Natanael?” O cão responde oferecendo um  largo sorriso: “Levanta  anão preguiçoso.  Os Corvos Hugin e Munin me avisaram e vim salvá-lo de morte certa”.

capítulo 4

Published 02/09/2014 by A.W. Branco

Foram inúteis as tentativas de escaparem das surras que o anão lhes infringia.   Os centauros, aos poucos, aprenderam a dançar, ao som das pancadas rítmicas dos  dois cajados  no solo. Dançaram em circulo, disciplinaram-se, cantaram as lendas  que lhes ensinaram as Wiccas do Norte.  A lua cresceu e minguou  seis vezes, e o buraco que escavaram com a  dança os aprisionou. O anão lá os deixou para morrerem de fome, pois não conseguiriam saltar a altura do fundo buraco que criaram. Foram inúteis as implorações e maldições dos centauros.  O anão se desinteressou pela segunda tarefa e ignorou as promessas que a filha de Íxion lhe fazia, tentando seduzi-lo.

Logo estavam  mortos todos centauros.  Agora  o seu Príncipe Maravilhoso estava livre para levá-lo para o Castelo. O anão, então,  pede para o Príncipe Maravilhoso levá-lo  para o castelo. Ele lhe diz simplesmente, com ar óbvio de medo: “Não posso, sou grande demais para passar pela única trilha que existe dentro da muralha de espinhos e venenos.”  Contínua: “Apenas você com o seu pequeno porte conseguirá subir pela trilha, entrar no castelo e libertar a minha Princesa Amada, que lá dorme para sempre.” Em seguida lhe passa importantes instruções, pois o caminho é cheio de perigos. Segurando o anão pelas mãos,  leva-o até um ponto mais afastado do estábulo e lhe mostra o estreito túnel, dentro da vegetação densa. Despede-se, com lágrimas nos olhos e observa o anão sumir por lá, sem um só ruído.

capítulo 3

Published 02/02/2014 by A.W. Branco
As tres Nornas, na sombra de Iggdrasil

As tres Nornas, na sombra de Iggdrasil

A centauro, escoiceia impaciente o chão de pedras e diz:

— Primeiro você nos ensinará dançar. Queremos nos entreter quando cai a noite e dançar em roda, batendo os pés e cantando nossas lendas. Somos muito indisciplinados para fazermos nossa própria aula.

E a segunda tarefa? Pergunta o anão.

Responde a filha de Íxion:

— Você saberá depois que nos ensinar como dançar. Se não conseguir voce será nosso café da manhã, seu miúdo. Outros já tentaram e uns viraram almoço, outros uma lauta janta.É por isso que o Príncipe Maravilhoso não tentou até agora. Prefere ser nosso escravo, sem se arriscar, do que tentar a liberdade e retomar seu castelo com as coisas fantásticas que lá estão.

 Agora sabedor do que precisa fazer, o anão vai para a grande floresta da região que ficava muito mais ao Norte, longe, longe.  Disso ele entendia e caminhou rápido como um raio. Procurou a árvore que todos conhecem como Freixo, mas ele, o anão, chamava de  Iggdrasil, o guardião das fontes profundas. Com o devido respeito e veneração pediu as devidas licenças para que as Nornas não o amaldiçoassem ao tocar a  Árvore Sagrada. Então, da raiz da Árvore,  que é a terceira , a raiz  Niflheim guardada por Nidhug o Dragão,  tomou e quebrou  dois galhos, retorcidos, com  nós em quantidade suficiente. Aparou e  os decorou com as cores de sua coragem.

 Isto feito  os dois galhos se tornaram  potentes cajados, que ele, o anão sabia manejar como nenhum outro.  Voltou para o estábulo dos centauros, vencendo aventuras nesse caminho, que se tornaram lendas. Ali por perto, no campo dos trevos criou uma roda de dança.  Com um assobio fortíssimo,  fez secar o campo dos trevos, para onde convocou os seis centauros, que eram o rebanho todo.

Usando os dois cajados, um em cada mão,   forçou os centauros para dentro da roda de dançar. Aplicava fortes pancadas nas suas cabeças e nos lombos e Eles e Elas gritavam e relinchavam, sem mais saber de suas próprias e esquecidas  humanidades.

E começaram a marchar em circulo, uma atrás do outro, chorando e rindo de alegria e de dor do aprender a dançar.

Capitulo 2

Published 01/23/2014 by A.W. Branco

A centauro, agora com os dois sobre ela montados, caminhou em direção de um túnel que apareceu por entre as coisas do fundo do lago. E por lá eles a cavalgaram durante sete dias e sete noites sem parar, nem para descansar nem para comer. O anão  se preocupava, pois  apesar de estar firme na garupa,  tinha muito medo da boca voraz  da centauro, filha de Íxion. Abraçava-se fortemente contra o corpo do  Príncipe Maravilhoso, o qual nada dizia enquanto segurava a  mão cheia de calos do anão, para confortá-lo. Subitamente, num passe de mágica, cavalgavam em uma pradaria de trevos de quatro folhas e ao longe, sobre um alto monte o anão viu o Castelo. Extasiado pergunta para o Príncipe Maravilhoso: “Meu  Príncipe Maravilhoso, é aquele o seu castelo, que é  incrivelmente belo?” Para o que o Príncipe Maravilhoso responde: “Sim anão, é o nosso Castelo.” O anão sente um calor agradável na boca do estômago com a inclusão e abraça-se mais fortemente  à cintura do Príncipe Maravilhoso. Conforme se aproximam, o anão percebe que o alto monte está completamente tomado por plantas espinhentas e venenosas, isolando o castelo, pois não vê nenhuma trilha de acesso. Preocupado pergunta como poderão subir, para o qual o Príncipe Maravilhoso responde dizendo que por ora não será possível e que logo lhe explicará o que deverão fazer. Bem  perto da primeira parede de cipós, lianas e outras plantas venenosas entrelaçadas tem um estábulo,  de teto baixo, paredes de pedras grosseiras e com um terrível cheiro de podridão emanando do seu interior. Outros centauros entram e saem do estábulo. O Príncipe Maravilhoso diz para o anão, que agora até mudara de cor pelo medo que passara a sentir,  que este é o lugar onde morarão por algum tempo, até poderem subir ao castelo. O anão pergunta: “Meu Príncipe Maravilhoso, o que é isto que aqui se passa, pois não entendo?”  O Príncipe Maravilhoso responde, olhando para a centauro, com voz lamurienta: “ Anão, por enquanto aqui  sou escravo dos filhos de Íxion, você deverá me libertar para então subirmos o alto morro para alcançar o castelo.” O anão diz: “Sim, meu Príncipe Maravilhoso, farei o necessário, e o que devo fazer?”.

— Pergunte para essa desgraçada filho de Íxion.

A centauro, com um sorriso ainda mais sedutor lhe diz:

— São duas tarefas simples, que esse molenga, filhinho da mamãe, nunca conseguiu fazer. E são essas as tarefas.

Enumera para  o anão que não acredita no que ouve.

Capitulo 1

Published 01/23/2014 by A.W. Branco

Era uma vez um anão. Ele estava passeando pelo jardim do rei e viu a princesa à beira de um lago. Ela estava brincando com uma bola de ouro que ganhara de aniversário. O anão que a observava escondido detrás de um grande carvalho, viu quando ela deixou cair a bola de ouro dentro do lago. Se aproximou e perguntou se queria que apanhasse a bola. A princesa respondeu:”Sim, mas isso já é outra história” .

O anão, ganancioso que era, não esperou pela outra história que a princesa chorona tinha sugerido. Pulou de cabeça no lago e afundou, afundou e afundou. Depois de dois dias chegou ao fundo, pisando no lodo e levantando uma nuvem de poeira dentro da água grotescamente verde e densa. Assim que assentou o pó, viu-se cercado por tres criaturas: uma pequena sereia, um sapo enorme e vesgo e um  Príncipe Maravilhoso  montado em uma centauro que exibia um sorriso aliciante e belos seios. Sem perder tempo, pergunta logo: “algum de vocês viu uma bola de ouro?”  A pequena sereia, entre risadinhas, diz: ” mais um tonto que aquela bobona manda para a gente!-Pergunte pro sapo, seu anão ganancioso.” O sapo se antecipa e tenta dizer algo mas não consegue, apenas provoca um enorme borbulhar de bolhas multicoloridas, que sobem em direção da superfície em velocidade espantosa, soando como a “Chuva Negra” da banda  post rock Hurtmold. A pequena sereia continua com seus risinhos: “Sapo, você fumou de novo daqueles enroladinhos de alga lá do fundo!”  E foge para trás de uma pedra. Aproveitando a oportunidade, o Príncipe Maravilhoso chama a atenção do anão com um psiu: “Anão, monte na minha garupa e vamos embora daqui, vamos para o meu palácio onde terás muito mais que bolas de ouro e princesas choronas”. A centauro acenava cordialmente com a cabeça como reforçando o convite do Príncipe Maravilhoso. O anão, sem hesitar pulou na garupa da centauro e diz para o  Príncipe Maravilhoso: “Sim, sim, meu Príncipe Maravilhoso, quero conhecer a outra história”.

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